segunda-feira, 5 de maio de 2008


Flores do Mal.

A Natureza do Homem

O Homem E a Natureza

O poeta e crítico francês Baudelaire marcou com sua presença as últimas décadas do século XIX, influenciando a poesia internacional de tendência simbolista. De sua maneira de ser, originaram-se na França os poetas “malditos”.

Baudelaire inventou uma nova estratégia de linguagem, incorporando a matéria da realidade grotesca a linguagem sublimada do romantismo, criando, dessa maneira, a poesia moderna.

Sua obra prima é o livro As Flores do Mal, cujos poemas mais antigos datam de 1841. Além de celeuma judicial, o livro despertou hostilidades na imprensa e foi julgado, na época, imoral.

Charles Baudelaire possui uma produção fortíssima que retrata a inquietude, o mal, o degredo e as paixões da alma humana. Sua vida sempre flutuou entre a noite, a boemia e paixões alucinantes. Poeta da vida e da alma humana, trouxe para os seus versos todos os prazeres que o homem pode desfrutar entre um e outro copo de vinho. As Flores do mal, sua obra prima, nos faz deparar com o limbo de cada uma de nossas almas, com o tédio de nossa existência, com o mesquinho de nossa essência, com a paixão do ser humano.

É preciso mergulhar nessa obra para descobrir quais são as flores que o “mal” produz.

Justificativa

Este trabalho fundamenta-se em Charles Baudelaire, em seus poemas catalogados em seu livro “Flores do Mal”. Como representante de um panorama cultural, que se mostrava nos idos de 1850 a 1900. No século XIX a Europa vivia uma série de mudanças culturais, econômicas e ideológicas. Entre elas se dava o abandono do movimento romântico e o nascimento do movimento anti-romântico no qual se destacava na ciência positivista de Augusto Comte (1798 a 1857). Surge então o materialismo, o capitalismo desumano, a revolução industrial, e principalmente o pensamento do homem como “Dominador da Natureza”. A revolução tecnológica permitiu ao homem seu desenvolvimento ultra-rápido e o explorar da natureza com a mesma rapidez, sem pensar que seus recursos esgotariam algum dia. O homem desse tempo que marcaria todos os tempos subseqüentes é marcado pelo abandono de suas emoções de humanidade e é tomado pelos seus demônios, vive o inferno de abandonar todas as funções de sua natureza e resumir-se a um Cogito Ergum Sum (Penso Logo Existo). Baudelaire mostra essa alma tomada por demônios, glorificando e gozando com a descrição poética e pormenorizada de estupros, assassinatos, suicídios, enfim, todas as barbáries que vivem no escuro do homem quando este sufoca suas emoções. Analogicamente também podemos dizer que Charles Baudelaire descrevia as primeiras barbáries feitas pelo homem à natureza. Hoje, dois séculos mais tarde, Baudelaire é atualíssimo em se falando de emoções e destruição da alma do Universo. Tamanha é a destruição causada pela visão positivista e cartesiana dos fatos em nosso mundo que estamos morrendo sufocados pelos pulmões da Terra, que clama nossos próprios pulmões cancerosos. Fez-se necessário voltar a uma leitura do mundo baseado em um modelo de vida integrado, sistêmico, a uma visão ecológica, se esse termo for entendido dentro do conceito de ecologia profunda, que diz segundo Fritjof Capra diz: "A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos)."

Nesse sentido as Flores do Mal, aqui apresentadas em releitura analógica, mostram as sementes plantadas por um movimento desumano de uma visão fragmentada da vida, que cresceram e geraram um jardim de dor, sofrimento, solidão e barbárie no coração dos homens, os quais construíram seus próprios calabouços e escreveram sua própria destruição.


Objetivo


É o de alertar, provocar um olhar sobre um universo diferente daquele que estamos acostumados em nosso cotidiano. É o de mostrar que por detrás de uma beleza plastificada e perfeita, consumida dentro de um desejo irrefreado de consumir, escondem-se emoções que nos consomem, destruindo a nós e ao sistema ecológico como um todo.


Descrição


As Flores do Mal aparecem aqui como uma leitura plastificada dos poemas de Baudelaire, sem deixar a letra de lado, ou seja, os poemas acompanham a obra, como um grito de alerta aos danos causados a nossa natureza humana e a natureza externa. Os materiais utilizados para a confecção das expressões, são garrafas pets, garrafas de vidro, caixas de papelão, caixas de leite e de sucos longa vida, vidros de xampu e desodorante, garrafas de água mineral e roupas para dar o formato do humano. As formas aqui brincam com o rígido, a fixidez, o claro e o escuro, o desconforto e o conforto interno provocado pelas expressões. Brinca com o permanente e o impermanente. O material utilizado é inovador em forma e mistura, provocando mais uma provocação à procura de soluções inovadoras e humanas para velhos conceitos castradores. Esta exposição é um grito, um chamado a pulsão de vida do homem e para encarar sua sombra, sua pulsão de morte, que é onde paradoxalmente encontra-se a salvação para sua vida. O lixo produzido no mundo é usado para moldar o lixo da natureza humana, o nosso interior poluído que num relacionamento de equidade perfeita com o exterior suja a nossa sociedade e nosso ambiente. Mas esse mesmo lixo interior, estes mesmos fantasmas, também pode ser reciclado e se tornar nossa mais poderosa força humana, nossa mais poderosa força de vida e consequentemente, transformarem a nossa realidade exterior, afinal, “Quanto Pior Melhor”, e “Quanto Melhor Pior”. Somente quando soubermos realmente nosso poder de destruição é que poderemos transformá-lo em poder de construir a vida. Precisamos fazer isto no simbólico, na arte, nas nossas emoções, para não destruirmos o real. Tudo aquilo que não é simbolizado, que não é DITO, é agido, como disse Freud.

Saber de nossas forças destruidoras é preciso, falar disso é preciso, para que possamos fazer agir no amanhã um real iluminado, respirável e sadio para nossos filhos e nossos netos.

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